segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ANÁLISE : APOCALIPSE?

Este Artigo foi publicado originalmente dia 18/09/08

Existem configurações gráficas que uma vez estabelecidas, dificilmente retornam a tendência anterior e sugestionam a continuidade da figura que vem se formando. Não há precisão em nenhum tipo de Análise, nem na Técnica ou na Fundamentalista. O que existe são probabilidades. De todo modo, prefiro jogar com as probabilidades que são mais evidentes.

Passei cinco horas avaliando o Dow Jones, o Ibovespa e os seus principais Ativos. Basicamente utilizo em meus estudos apenas as médias móveis. Desta feita utilizei vários indicadores de tendências. Todos eles indicam um período de forte acentuação da queda. O fundo do poço pode mesmo ser bem mais em baixo.

O primeiro objetivo da queda observado pelo Fibonacci, 47/48K, foi cumprido e não segurou a tendência, onde deveria haver uma possível reversão, ainda que para uma correção apenas. Os próximos objetivos observando-se pelos Fibos são 41/42K e o objetivo seguinte se encontra na ordem dos 32.000 pontos. Considero que até os 39K ainda poderá haver reversão temporária, ou seja, a tão esperada correção para o ano deste fortíssimo canal de Baixa.

Há um indicador chamado DI+/DI- (duas linhas) que são lidas através dos seus movimentos direcionais, e quando se cruzam indicam a reversão de tendência, similar à famosa agulhada do Didi, mas que acusam com mais antecedência a Tendência do Mercado, onde as linhas (12 tempos) se cruzaram revelando o canal de baixa, no Semanal no mês de junho e no mensal em Julho. Indicando claramente o forte momento negativo que sofre o Ibovespa. E o cruzamento dessas linhas nos tempos maiores é sinal que a Tendência é acentuada. No Índice Dow Jones essas linhas DI+/DI- de 12 tempos observadas pelo gráfico Mensal, se cruzaram no mês de Dezembro do ano passado, e se afastam cada vez mais evidenciando a força da queda. Ou seja, desde Dezembro/07 a Tendência do DJ era de queda declarada.

O que me assustou foi observar até onde poderá chegar esta correção. Todos os estudos levam a uma possível queda sem precedentes, e de proporções que talvez nenhum de nós ainda tenha presenciado.
Ao que parece, muitas empresas listadas na Bovespa sucumbirão com o passar dos próximos meses ou anos. Não se trata mais de queda, mas de deixarem de existir, enquanto papeis de algum valor na Bolsa. Outras mais conhecidas como as Small Caps, que são as empresas de segunda linha, chegarão a valores bem abaixo dos atuais patamares.

As Blue Chips também, como já vem ocorrendo, serão mais castigadas e sofrerão mais retrações ainda. Mas são empresas sólidas e por maior que seja a crise, se sustentarão no Mercado a Longo Prazo.

Setores como o alimentício, leia-se Sadia e Perdigão bem como o bancário, estão ainda atrasados em relação as principais Blues, e é possível que logo, logo venham a sucumbirem e devem sofrer quedas acentuadas.
Já estamos vivendo um momento onde uma USIM5 saiu da máxima de R$ 93,87 (19/05) para R$ 37,99 fechamento de ontem 15/09. Isso significa uma variação negativa de 59%.

Algumas variações: VALE5 (-45%), PETR4 ( -44%), CSNA3 (-49%),BBDC4 ( -35%) SDIA4 (-32%).
E outras : LAME (-62%), BVMF (-69%) DURA4 (-62%) FJTA4 (-65%).
Esse patamar de quedas, seria razoável supor que no final da crise, ou seja, já próximo do que seria os pontos de retomada para um novo ciclo de alta.
E o que acontece? A atual crise vem mostrando que está longe do fim.

Alguns repiques de alta e correções desta queda podem ocorrer à qualquer momento, todavia, dificilmente não se acentuará para o próximo ano. Parte do sistema financeiro Mundial está quase falido. Muitos Bancos Europeus e Asiáticos estão diretamente envolvidos com a crise do Sub-prime, visto que compraram créditos “podres” e não há como recebe-los.

O Índice Bovespa, com os atuais 37% de variação negativa, e o Dow Jones com -25% mostram claramente que ainda tem gorduras por queimar. E certamente será isso que irá ocorrer.
A atual crise está expondo um sistema financeiro falido e é exatamente esse sistema financeiro que gera o crescimento ao redor do Planeta. Boa parte de todo o crescimento Global é sustentado pelos grandes Bancos e os mesmo estão à mingua.

Qualquer outra avaliação neste momento que não seja esta, é contar demasiadamente com a sorte. Será muito difícil a economia Mundial não acentuar este forte momento de retração em todos os aspectos possíveis, em relação ao consumo, emprego, inflação dentre outros.

Aqui no Brasil, além de tudo, teremos que conviver com a alta do Dólar, retração do consumo, juros altos. Enfim, o que pode restar para um país ainda em desenvolvimento (ou emergente) como o nosso? Hoje os grandes investidores desorientados, estão fechando posições nas economias mais desenvolvidas. Porque aportariam seus capitais em países menos seguros em um momento como este? Países que embora levem o nome de “em desenvolvimento”, e que até pouco tempo atrás eram chamados de “Terceiro Mundo”, como é os caso dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China).

Talvez o termo adequado para todos os países neste momento, de primeira grandeza econômica ou não, seja Países IMERGENTES.
Por fim, a menor interpretação da fase atual em relação aos investimentos : O Momento é de Extrema Cautela!

Observação: Nenhum estudo gráfico é definitivamente conclusivo e não há como afirmar com toda a segurança os próximos movimentos do Mercado. As análises foram baseadas nas probabilidades que sugestionam os gráficos e no atual momento da economia Global.

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